Produzir cerâmica com resíduos industriais
01-06-2013 19:50Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um método de produção de cerâmicos exclusivamente com desperdícios industriais, anunciou fonte académica.
O processo, desenvolvido pelo Departamento de Materiais e Cerâmica (DEMaC) da Universidade de Aveiro, permite dar uma utilização aos resíduos, que deveriam ser depositados em aterros, e aumenta a margem de lucro das indústrias cerâmicas.
«O método que desenvolvemos permite determinar quando e como os vários subprodutos e resíduos industriais podem ser usados como matéria-prima alternativa aos ingredientes convencionais na cerâmica tradicional», explica Ana Segadães, investigadora do DEMaC.
De acordo com a responsável pelo estudo, «para além da inertização por incorporação em cerâmicos, até para as indústrias se desfazerem desses materiais, os resíduos e subprodutos podem ser benéficos, quando utilizados na produção de materiais cerâmicos, necessitando apenas do mesmo tipo de tratamento que se faz hoje às matérias-primas tradicionais».
Os investigadores do DEMaC usaram no estudo desperdícios de várias indústrias de mineração, entre mármores, granitos, calcários e vários outros tipos de pedras não aproveitáveis, devido às pequenas dimensões.
«A maior parte desses resíduos minerais são utilizados na construção de estradas como aplicações pobres sem valor acrescentado. Para o que sobra desses produtos ainda não há uso, ou porque são finos demais e não servem para esse fim ou porque são perigosos demais e ninguém os quer», aponta Ana Segadães, especialista na análise da composição de materiais, em entrevista à Lusa.
Cinzas provenientes da incineração de resíduos urbanos, materiais resultantes da construção e demolição de edifícios, resíduos produzidos pelas indústrias químicas e agrícolas e lamas industriais são alguns dos produtos também já estudados pela equipa da Universidade de Aveiro.
As experiências revelaram que é possível produzir materiais cerâmicos, com as mesmas características dos que são produzidos com ingredientes tradicionais e sem necessidade das indústrias cerâmicas alterarem os equipamentos ou os processos.
Os benefícios para o ambiente e para as finanças das empresas produtoras de materiais cerâmicos são sublinhados pela investigadora: «No caso dos resíduos, as indústrias que os geram não terão necessidade de os enterrar, esconder, pagar a aterros para os despejar ou abandoná-los sub-repticiamente nas margens dos rios».
Ana Segadães sublinha ainda que «para as indústrias cerâmicas dispostas a usar esses desperdícios, eles são muito mais baratos, quando comparados com algumas das habituais matérias-primas».
Artigo publicado por Mariana Cabêda
———
Voltar